domingo, 20 de abril de 2014

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Andorinha




A felicidade morava a 800 milhas daqui, sim, eu sabia, era uma andorinha, voava, feliz e pura... Eu andava pelos trêns por ai, desnumbrando morros e verdes. A andorinha sorria, sorrio também, um dedo de prosa pra variar, um bom leite, café? Quem sabe... A felicidade supria a fome, não entendia toda esta furtividade da vida que se falava, pra mim o tempo era único, os dias poderia ser longos, ás vezes tão curtos que dava vontade de voltar. Tudo era livre, eu, nem tanto, mas a andorinha deu a voar, foi por caminhos que nem o vento sabe. Nisto, o verde se foi, tudo se tornou cinza, já não lembrava mais dos morros, tudo era sangue, sim, alma... Talvez tenha demorado a perceber, já não respirava, tudo estava escurecendo, tudo... Já não havia ar... Estava afogado... Não sei ainda, se o sangue era meu, ou da andorinha... Andorinha, andorinha, por onde andas, o bocado de solidão, vosmercê, não podes me deixar á mercê... Talvez o Seu João soubesse... Talvez... Ela se FOI! Gritei, quase chorando, engoli tudo que havia alí, sangue dor... Voltei, já não havia mais nada, nem mesmo a andorinha, sabes lá, se o Abreu sabes onde ela está... Talvez eu deveria sonhar menos, talvez, a Andorinha volte, sim, ela virá. Não, não virá... Até eu acordar... até...


Jean Bispo

2 comentários:

  1. Texto lindo! de uma sensibilidade e inteligência imensa! quem dera o homem não tivesse destruído a natureza =(

    http://virtualparadisee.blogspot.com.br/

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  2. anw eu me indentifiquei com esse texto *--*

    http://stroke-of-insanity.blogspot.com.br/

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