Do viver

segunda-feira, 17 de setembro de 2018


É dor do desespero
Do afago
Do apego
É dor da agonia
Do abraço
Da euforia
É dor do abismo
Do amor
Do sentimentalismo
É dor da despedida
Do acolher
Do florescer
É dor da dor
Da alma
Do amor

Hark back shot

domingo, 12 de agosto de 2018




Sim, eu preciso. Preciso ás vezes dessa dose de lembranças de dor, do amor, da simples ternura, da voz, da simplicidade, dose de sinceridade. Preciso disso para lembrar-me quem sou, quem era, como simplesmente vim parar aqui. Pra lembrar das vidas que salvei, de cada cicatriz, das guerras lutadas, do quanto sangrei, do quanto fiz sangrar sem ao mesmo querer. Pra lembrar do quanto doí perder uma guerra, ser sua própria armadilha, o quanto doí perder em si mesmo. Lembrar que sou humano, que erra o suficiente para não aceitar, acerta o tão quanto para se achar incapaz. Também lembrar daquele dia que fiz alguém sorrir, da piada que ninguém ri, da piada que é ser piada. Lembrar que apesar dos poucos bons momentos de amor, vale apena lutar para que sejam eternos. Lembrar para que não morra, mas que viva aqui agora. Lembrar que a escuridão não se molda, não se dobra, é infinita e eterna e que nunca devo guardá-la.

Vou te lembrar, a ater-se apenas no principio: Lembre da dor, do amor, da ternura, da voz, da simplicidade e da sinceridade. Apenas  l e m b r e.

Pálida

domingo, 22 de julho de 2018


Pálida. Aquele era o nome da boneca, não mais por sua cor, que já aderia a moda do encardido da poeira do tempo. Pálida via tudo, contradizendo o natural, sentia tudo. Isso mesmo, ela não era como os outros brinquedos, compara-lá a outros bonecos e bonecas se faz cabível elevar ao nível de ofensa. Pálida já estava lá faz tempo, tanto tempo que já nem era mais capaz de lembrar, quem dera de contar. E seus vizinhos, se sentissem ou pudessem dizer algo, apática não seria uma escolha tão ruim de palavra. Pálida por sentir, chorava, mas ninguém via, ás vezes ria, e também ninguém via. Ela era a razão daquilo tudo, mas que contraditoriamente já perdeu sua importância há muito tempo. A poeira era nada mais que tatuagens de ausência, de tudo e todo aquilo que já foi e não é mais. Ás 4 horas da manhã ainda havia um galo a cantar, certamente não era o mesmo galo de antigamente, mas ainda sim havia algum para anunciar um novo dia. Ás vezes o silêncio corrói a alma, retrato de uma alma gelada, que ainda insiste em se apagar. Pálida viu nascer, viu viver, viu morrer, viu os badalos que ressoavam como sinos de catedrais. Aquela era a cátedra. Eis a nossa cátedra: julgos abandonados, carroças sem rodas, barro sem dono, couro sem pé, tramela sem cabeça. Pálida são as nossas almas.

Espelho

terça-feira, 17 de julho de 2018



Olhe no espelho:
As cicatrizes,
O sangue,
O rio morto,
A dor,
O fétido sabor
Da desumana paz:
Há pais.

A Dor

sexta-feira, 29 de junho de 2018


O ressonante ardor:
do sentimento que mata,
do amor desconhecido,
da ferida aberta,
de ser sem ser percebido.

A dissonância da flor:
do abismo vulgar,
da esperança de vida,
da importância do ter,
da importância do não importar,

A personificação da dor.

O Amor

segunda-feira, 18 de junho de 2018


O amor é sublime a todas as paixões,
superior a todo medo,
meticulosamente transcendente.
É a mais perfeita razão,
etéreo em eternidade,
O Eterno:
Amor não se sente,
se vive.

O Abismo

quinta-feira, 31 de maio de 2018



Carrego comigo as fendas da minha cruzada, a cruz da minh'alma.
Talvez seja erro sonhar de mais, o passado é tão distante quanto o presente inútil.
Fútil, sim! Vejo teus olhos nas estrelas que sigo. Mesmo sendo dia sei que estão lá. Acendem minh'alma quando preciso, é a perfeita distancia entre o sofismo e o abismo.
Trágicas lágrimas de todas as noites do verão.

Luzes

sábado, 26 de maio de 2018



Tudo é tão vazio e gélido, exatamente sem dor, sem amor, sem calor.
São luzes que cintilam, espaços e almas, a aquarela noturna da solidão.
Canção estridente, irritante, mera voz do passado resistindo a escutar o futuro.
Nem sempre se perde ou nem sempre se ganha.
Nem tudo é tão longe quanto se imagina, nem tão perto quanto se pensa.

Raroefeito

quarta-feira, 9 de maio de 2018




Eis que é isto, respirei muito ar rarefeito. Com sorte sobrou lucidez em meus pulmões. Bradei em alta voz... Um suspiro de dor. O suficiente para a queda livre terminar. "Impossível!" Esta era a minha reação em terra firme, tudo passou tão rápido, em segundos. Acabara de passar a vida inteira. Tudo dolorido, as vezes sorridente, porém, ainda dolorido. As vezes muito distante, não obstante, o perto era o nada. Agora que há terra entre meus dedos, me pergunto, sonho ou pesadelo? Sabe... O que espero realmente é que as nuvens sejam feitas de algodão, de preferência doce. Quem sabe na queda eu tenha quicado numa delas? Talvez eu saiba voar como nuvem, ou realmente ter aprendido o que na vida é doce.

Voo Irreflexo

segunda-feira, 23 de abril de 2018



Viajava eu nessa transitividade, loucura iminente, atemporalidade do ser, entre a tua razão e a minha insensatez, de miragens que vi. Paradoxal tempo dos afobados, escuro é o tempo, claro é a luz, de olhos negros minguados, lavado a alma, de paz, de tudo que fiz, de tudo que vi. Embainhei e corri, cruzamento de vias, o peso das almas, do espirito, do meu ser. Gritei de loucura, transpirando forças. Relatividades e mais, entre o carrocel e o parque, vida esta que deixei, abandonei, preferi observar o tempo em si, preferi voar, só pra não cair.
Pensamentos Irreais