Azul

segunda-feira, 21 de setembro de 2020


Eu navego a descobrir novos horizontes,
sigo apenas uma estrela. 
Vejo as águas sorrirem para mim. 
O mar profundo e anil é calmaria. 
O céu azul levanta o arco e o brio de um novo dia. 
Fragrâncias de flores á distância. 
E agora eu sei, 
o azul é o meu lugar.

Saudades II

domingo, 14 de junho de 2020



Saudades de quando tudo no mundo era novo. 
De quando cada coisa tinha seu cheiro, tudo estava no seu devido lugar. 
De quando nem tudo era pressa, de quando o dia era dia, noite era noite, de quando o amanhã de fato era amanhã. 
De quando toda noção de dor se resumia no menor espaço possível do universo, de quando nada doía de verdade. 
Saudades de quando um olhar era um olhar, um beijo era um beijo e o sentimento era o sentimento.

Ar

terça-feira, 13 de agosto de 2019



Estou onde a chuva possa me molhar,
Estou onde finda o dia
Estou onde calhar,
Estou onde quero
Estou pelo ar,
Estou em mil pedaços por aí,
Estou a te encontrar

A Cadeira

quarta-feira, 29 de maio de 2019



Esta é a cadeira. Onde o tempo passa diante dela como numa TV. A cadeira que ente a escuridão, faz coexistir a luz.

Sordidez entre os pés, madeira podre e molhada, amontoado de lixo, resto de coisas que um dia valiam algo. Bituca de cigarro, ferrugem, formigas, as sofistas de paz, as matemáticas da teoria do caos. Vidro quebrado, rubrica em tinta a óleo de alguém que já morreu. Um telefone, um copo e outra bituca de cigarro. Mas o que importava era a cadeira.

Sento todo dia naquela cadeira, observo vagarosamente o universo, aspiro poeira de tempos que não voltarão, vislumbro o futuro mais distante, lamento o infeliz presente. A sala abandonada estava lá todos os dias, ás vezes com um ou dois ratos a mais, mas era sempre a mesma coisa, lixo, formigas, eu e a cadeira. Pois ali é onde todo o universo faz sentido, ali é onde o caos outorga a ordem, pois ali, é onde estou.

Flor

domingo, 14 de abril de 2019



Fala flor, 
do que machuca por dentro, 
do que sangra a alma.

Fala dor,
do som que destoa, 
da sina que desalma.

Fala Senhor,
da lágrima que atina,
do detalhe que agalma.

Fala ardor,
do fogo que não apaga,
do vestido que é xalma.

Fala doutor,
da vida que me resta,
de tudo que me desalma.

Fala amor,
do dia que já foi,
e do mar que acalma. 

Ser

domingo, 10 de março de 2019



A verdade é que dividir dinheiro, carro, casa é fácil. Ter a singeleza para dividir a alma é das mais complexas experiências da vida, pois não se trata do mensurável, do previsível nem muito menos do planejável, se trata simplesmente do ser. E ser aquilo que se é esperado pelo outro pode-se considerar louvável, mas ser parte do outro é a abstração do universo em um único momento. É convergir o incompreensível, é perder o limiar da razão, é incontestavelmente transcender.

Primavera

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019



Hoje faz um ano que você se foi, e junto foi a minha alma e a primavera.
Lembro-me que em meio a primavera tentei colher uma rosa e agarrei seu caule. Insensato! Que Cartola me perdoe, queixei-me da rosa, pois me fizeste sangrar.
Em outra dose de insensatez, podei a rosa, flor em pote d'água: A miragem da escuridão. Morte!
Hoje faz um ano que meu jardim secou, não há mais vida, não há cor. Há apenas um deserto do vazio que ficou.
Não há lágrima que lave o sangue seco sobre a terra, não há milagre que germine do espinho que ficou, outro roseiral. Não há carnaval, nem mesmo primavera.

Abraço

quarta-feira, 16 de janeiro de 2019



Eu quero um abraço, não um abraço de corpo, um abraço de alma. Abraço daqueles que ascendem e transcendem o espírito.

Quero apenas sentir, saber que sou, que estou. Quero pertencer eternamente naquele lugar. Quero que seja etéreo e singular: Sublime.

Quero um abraço, quero que você esteja onde eu estou, quero que me faça sentir vivo. Que me faça viver. Quero um abraço. Abraço.

Olhar

domingo, 16 de dezembro de 2018



Encontrei no sorriso do teu olhar, 
a paz da/na solidão. 

Encontrei um delicado brio, 
que se desnorteia.

 Encontrei a ternura,
 um orvalho na oliveira. 

Encontrei uma flor,
a cor que lisonjeia.

...

Achavas eu, 
que poderias encontrar o coração,

pois.

Acho eu,
que um dia perderei o sorriso,
mas saibas que eu, 
jamais esquecerei do teu olhar.

Monólogo - I

terça-feira, 27 de novembro de 2018




- O mundo está sob meus pés. Lhe digo, ele não é mais o mesmo, já desabou in-conscientemente inúmeras vezes.

- Concordo, o piso possa seja de vidro, talvez quebre outra vez... Não! Estilhaçar é uma palavra mais adequada.

- Anota isso: Os fracos desistem de sentir por que ser forte cansa.

- Tá, uma frase de efeito aqui ou ali, ninguém se importa se o autor foi do instagram ou foi plágio do twitter.

- Olha, acho melhor tu parar de tomar café, sabe o que essa coisa faz com teu estomago? 99% das pessoas que sentem dor no estomago tomam café.

- Fonte? Ah meu caro, a vida é uma fonte. Mas quando eu morrer vou pedir para que mandem meu estomago intacto para você. E acredite, tive estomago para muita coisa.

- As pessoas comuns são chatas e repetitivas, mas sabiamente cegas e surdas, estão mais perto da felicidade por não enxergarem e escutarem certas coisas.

- É, as vezes digo umas coisas com algum nexo que leve a um fim comum.

- O universo não é infinito.

- Como provar? Tá de brincadeira? A vida é muito curta pra sair por ai medindo o tamanho do universo pra provar que ele não é finito. Não é por que não consigo medir algo que ele seja necessariamente infinito. Não é relativizando as coisas mas é o mesmo que dizer que se não é 0 é 1. Quanticamente ambos podem ser a mesma coisa.

- Sei... Ninguém liga, chatolino, blá blá blá...

- Nunca guarde medos em potinhos num baú debaixo da cama, um dia, do nada eles abrem. O que sai de lá é tão escuro que lhe fará esquecer o ultimo ponto de luz visto. Se não tinha medo, tenha disso, ou disto, ah, que se dane os linguistas.

- Acredite em você mesmo antes de acreditar nos outros. O resultado é bem intuitivo.
Pensamentos Irreais