O cais II

segunda-feira, 16 de abril de 2018

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Foto: Lidiane Dias

Se passaram 3 meses desde que deixei o cais. A minha única certeza é que nunca deveria ter saído de lá. Tenho saudade da madeira molhada, o calor, daquele seu abraço. Sigo relutante dia após dia para não esquecer do teu rosto. O cais está distante agora, seus pés parecem não tocar mais a água, a noite não há mais sua voz e de dia nem seus sorrisos. Tenho agora a dor, a tristeza e a solidão: Em memória choro no teu abraço, me desespero pelo teu sorriso. Que infelicidade cometi! Parti ambos corações ao meio, dor tempestuosa em meio a tempestade, me perdoe! Me restam agora, apenas o amor e a fé inabalável, a fé de que se passem 3 anos e eu não me perca, a fé que me encontre em suas memórias, a fé que te verei outra vez. Pois sei, sei que o cais nos aguarda para sorrirmos outra vez.

Quando o poema mata o poeta

quarta-feira, 4 de abril de 2018


O poema dizia
Se iria, faria ou retornaria
Não obstante, se ouviria
Tudo estava tão perto
O afeto, correto, incerto
Tão distante, mas aberto
O poeta sempre a contrapôr
 A flor, a dor, o amor
É brilhante, onde recompôr

O poeta dizia
 A morte, o escárnio e o resplendor
O mundo, a morte e o rancor
A vida, o corte, e o terror

A vida dizia
Águas densas onde se afogam a dor
Ou se nada, ou mergulha em dessabor
A chama que arde é a que mata
E morrendo o poeta se esconde o amor
Escrevendo, a vi
da numa ata

Porta

quarta-feira, 28 de março de 2018




Feia e torta,
são palavras,
espada que corta.
Primeira página
é só bater na porta.

Alforria

quarta-feira, 21 de março de 2018




O tempo passara depressa, mas enfim, logo estávamos apontando na reta, indo a caminho da liberdade, liberdade que ainda haveremos de descobrir , ninguém se dava conta realmente do que se esperava, a visão de lá é inigualável, é tão única, que se é possível tê-la apenas uma vez na vida, acredito eu que todos ali queriam fazer isso mais vezes, todos queriam voltar no passado e sentir tudo aquilo de novo, mistura de dor e felicidade, acredito eu que tenha alguma alma penada que não seja de acordo com isto, nem se quer o mais incrédulo dos poderes "místicos" daquele lugar . Já eu, eu não sabia nem o que estava sentindo, sentia tudo e mais um pouco, eu via um dia quase fúnebre em meio a tantos sorrisos. O coração palpitava mais que nunca, mas finalmente estava lá, descendo aquela avenida, a marchadas largas, ouvindo o soar do bumbo, sentindo o sangue correr, vendo as pessoas nos olharem nos olhos, e nos aplaudirem, a gritarem e festejarem, enfim tomei-me por lúcido, lembrei que ao menos naquele momento eu tinha que ser perfeito nos movimentos, pela ultima vez.



texto perdido entre os rascunhos de 2013/2014

Lágrimas

quarta-feira, 14 de março de 2018




O que seria a dor perto do que sinto?
Morte com grande afinco?
Um turbilhão de sentimentos,
desfaleço, esmoreço
desacredito dos meus feitos
e é lá pelas montanhas que adormeço.
Onde a dor não tem vez,
onde nada acaba,
onde tudo é irrelevante,
inclusive,
minha pequenez.

A Teoria da Relatividade

quarta-feira, 7 de março de 2018


O tempo é relativo. Bem, isso é muito relativo também. De certo que quando há dor, se há eternidade, se for amor, é como um ardor. A morte é tão rápida quanto uma bala, a vida curta quanto um respirar. Com o tempo aprendi a relativizar a dor, eternizar amor. Ás vezes caio em paradoxos temporais, pode ser tudo tão lento quanto um dia chuvoso, ou tão rápido quanto um piscar. Fato é, o erro não é relativo, é preciso como relógio que te aponta a culpa e marca o amor. Que etéreo seja o amor. Não culpe, não mate, não sufoque, não duvide, não relativize. Não torne o tempo árbitro da alma. Eternize-se. A minha teoria é: o Amor verdadeiro não é relativo, é juiz do tempo e ébriamente eterno. 

As Estrelas

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018




Estrelas não morrem,
apesar dos meus quasares,
brilham e transcorrem.
Apesar do céu nebular,
do colapso e o singular
preferi eu,
ser, 
um pulsar

A Lua

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018



Aquela era uma noite triste. E como muitas outras. Esta era diferente, ele sabia que ela poderia nunca mais voltar. Ah sim, ela que iluminava sua alma em diversas noites, ás vezes não, ela recolhia em si mesma, mas era normal, ele se acostumara. E sim, ele chorava, chorava pois na noite em que ela mais brilhou, ele não estava, quando ela sorria e dançava, ele estava perdido, perdido em si, rodeado em sua própria e densa escuridão. Tolo, simplesmente a acusou de ter sumido, de te-lo abandonado, de ter virado as costas quando ele mais precisava. Tolo! Ela sempre esteve lá, mas a escuridão dele tapava seus olhos, a sua dor e medo a afastara. Noite triste, ela se foi para nunca mais. Mas lá no fundo, lá no fundo, ele tem uma esperança. Ela sempre volta, mais brilhante que nunca.

O Sol

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018



Melancólico som dos pássaros cantando
Onde habitam e vivem almas dançando
Talvez Hélio tivesse outro fim
Se eu pudesse cantar assim
Se imaginei o que quiz
Ou a música que diz
Se fiz ou fez
Voz e vez

O cosmo

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018



Paz e Harmonia! Grita o rapaz, não obstante ao microcosmo presente, o caos permeia o ambiente. O que reina é a conjuntura e não um fio de cabelo. Se tudo passa por uma eternidade, como assim deve ser, bem provável que nosso tempo seja lento de mais para presenciar a beleza e majestade do tudo. Cosmo é um rapaz esperto, não é porque um grão de areia ferve em guerra, debates, até invariavelmente em amor, que Cosmo deixa de ser tudo aquilo a que foi destinado, uma colorida orquestra de singela e eterna paz, e de canções harmônicas.
Pensamentos Irreais