Flor

domingo, 14 de abril de 2019



Fala flor, 
do que machuca por dentro, 
do que sangra a alma.

Fala dor,
do som que destoa, 
da sina que desalma.

Fala Senhor,
da lágrima que atina,
do detalhe que agalma.

Fala ardor,
do fogo que não apaga,
do vestido que é xalma.

Fala doutor,
da vida que me resta,
de tudo que me desalma.

Fala amor,
do dia que já foi,
e do mar que acalma. 

Ser

domingo, 10 de março de 2019



A verdade é que dividir dinheiro, carro, casa é fácil. Ter a singeleza para dividir a alma é das mais complexas experiências da vida, pois não se trata do mensurável, do previsível nem muito menos do planejável, se trata simplesmente do ser. E ser aquilo que se é esperado pelo outro pode-se considerar louvável, mas ser parte do outro é a abstração do universo em um único momento. É convergir o incompreensível, é perder o limiar da razão, é incontestavelmente transcender.

Primavera

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019



Hoje faz um ano que você se foi, e junto foi a minha alma e a primavera.
Lembro-me que em meio a primavera tentei colher uma rosa e agarrei seu caule. Insensato! Que Cartola me perdoe, queixei-me da rosa, pois me fizeste sangrar.
Em outra dose de insensatez, podei a rosa, flor em pote d'água: A miragem da escuridão. Morte!
Hoje faz um ano que meu jardim secou, não há mais vida, não há cor. Há apenas um deserto do vazio que ficou.
Não há lágrima que lave o sangue seco sobre a terra, não há milagre que germine do espinho que ficou, outro roseiral. Não há carnaval, nem mesmo primavera.

Abraço

quarta-feira, 16 de janeiro de 2019



Eu quero um abraço, não um abraço de corpo, um abraço de alma. Abraço daqueles que ascendem e transcendem o espírito.

Quero apenas sentir, saber que sou, que estou. Quero pertencer eternamente naquele lugar. Quero que seja etéreo e singular: Sublime.

Quero um abraço, quero que você esteja onde eu estou, quero que me faça sentir vivo. Que me faça viver. Quero um abraço. Abraço.

Olhar

domingo, 16 de dezembro de 2018



Encontrei no sorriso do teu olhar, 
a paz da/na solidão. 

Encontrei um delicado brio, 
que se desnorteia.

 Encontrei a ternura,
 um orvalho na oliveira. 

Encontrei uma flor,
a cor que lisonjeia.

...

Achavas eu, 
que poderias encontrar o coração,

pois.

Acho eu,
que um dia perderei o sorriso,
mas saibas que eu, 
jamais esquecerei do teu olhar.

Monólogo - I

terça-feira, 27 de novembro de 2018




- O mundo está sob meus pés. Lhe digo, ele não é mais o mesmo, já desabou in-conscientemente inúmeras vezes.

- Concordo, o piso possa seja de vidro, talvez quebre outra vez... Não! Estilhaçar é uma palavra mais adequada.

- Anota isso: Os fracos desistem de sentir por que ser forte cansa.

- Tá, uma frase de efeito aqui ou ali, ninguém se importa se o autor foi do instagram ou foi plágio do twitter.

- Olha, acho melhor tu parar de tomar café, sabe o que essa coisa faz com teu estomago? 99% das pessoas que sentem dor no estomago tomam café.

- Fonte? Ah meu caro, a vida é uma fonte. Mas quando eu morrer vou pedir para que mandem meu estomago intacto para você. E acredite, tive estomago para muita coisa.

- As pessoas comuns são chatas e repetitivas, mas sabiamente cegas e surdas, estão mais perto da felicidade por não enxergarem e escutarem certas coisas.

- É, as vezes digo umas coisas com algum nexo que leve a um fim comum.

- O universo não é infinito.

- Como provar? Tá de brincadeira? A vida é muito curta pra sair por ai medindo o tamanho do universo pra provar que ele não é finito. Não é por que não consigo medir algo que ele seja necessariamente infinito. Não é relativizando as coisas mas é o mesmo que dizer que se não é 0 é 1. Quanticamente ambos podem ser a mesma coisa.

- Sei... Ninguém liga, chatolino, blá blá blá...

- Nunca guarde medos em potinhos num baú debaixo da cama, um dia, do nada eles abrem. O que sai de lá é tão escuro que lhe fará esquecer o ultimo ponto de luz visto. Se não tinha medo, tenha disso, ou disto, ah, que se dane os linguistas.

- Acredite em você mesmo antes de acreditar nos outros. O resultado é bem intuitivo.

Solidão

sexta-feira, 26 de outubro de 2018



Viver na solidão não é para todos. Viver na solidão é diferente de sobreviver. Quem vive, conhece as fronteiras da alma, os abismos sem fim, conhece os caminhos da alegria e domina os atalhos. Quem vive da solidão senta na pedra da mesmice para observar o tédio. Quando levanta é porque cansou de ver. Ah se levanta... Nunca é viagem em vão, tiro de uma bala só. Quem vive assim não é por que lhe foi imputado pelos motivos alheios da vida, é quase que um dom. É uma escolha. É viver como um lobo solitário que de longe faz a guarda de seu bando. Que de tanto apanhar e levantar só, não aceita que ninguém mais caia.

Saudades

sexta-feira, 19 de outubro de 2018



Por mais que eu tente negar, fingir ou ignorar, ainda sinto a sua falta. Sorriso cativante, raras gargalhada estampadas numa estante de troféus. Lágrimas que regaram a alma, poemas que diziam, canções que tanto faz tanto fez. Sinceridade de um sol nascente, ritmo enluarado. De gávea vazia é como se perdesse o norte, navegar só dói mais ao sol que num temporal. Apenas navego, sigo por aí, as vezes sem rumo, na esperança de um dia te reencontrar.

Éter

domingo, 23 de setembro de 2018


Tenho a minha cina. Onde o vento dobra a alma e que um mestre reina. Impérios de dor obsoleta, h-abismos de espinhos que dilaceram a carne. Resume-se em fúria dos deuses, servos fiéis implacáveis. Alma de vidro: transcende o espirito, vidro de prata: reflexo não etérico. Finda um dia coalescênico, irriga o pó, hidrata a guerra, afirma vida. O fim é-ter quintessência, tudo permanece, nada cai.

Do viver

segunda-feira, 17 de setembro de 2018


É dor do desespero
Do afago
Do apego
É dor da agonia
Do abraço
Da euforia
É dor do abismo
Do amor
Do sentimentalismo
É dor da despedida
Do acolher
Do florescer
É dor da dor
Da alma
Do amor
Pensamentos Irreais